Está tudo muito bom, não tem nada de errado. Eu estudo, como, tenho uma cama, família, amigos, compro, uso, assisto, tenho Orkut, MSN... Essa visão egocêntrica que nos direciona a única realeza que temos no corpo, mais precisamente na barriga e condições melhores de vida nos afasta da mais dura realidade. Por mais que sintamos aquela indesejada “pena” das cenas de miséria que vemos, não fazemos idéia do que seja passar aquilo. Para ali, naquela pena. Poucos fazem alguma coisa para mudar a situação da maioria, e os que mais podem fazer se lixam. Falar que faço algo por eles seria hipocrisia da minha parte, como a maioria eu estou parada na pena, estagnei, e daqui não saio. Infelizmente não faço idéia de como posso ser alguém para melhorar o mundo, que clichê, né?
Podemos colocar a culpa no Sr. Sistema, como na maioria das vezes, até que caberia bem mesmo, mas seria um acovardamento em assumir que também não fazemos nada, nem ao menos falamos, estamos numa censura opcional, jovens revolucionários de merda. Enquanto o “misterioso” sistema desfruta de tudo, ficamos com o individualismo cá, poucos esperando a voz de um super-homem para ajudar, tola espera.
É difícil falar sobre isso, por mais que tão perto, vezes até presente. Quando eu reclamo da vida, de coisas não conquistadas, me vem como uma reivindicação na cabeça, cenas brutas da infelicidade que vêm atormentando tantas pessoas e me sinto tão suja, tão fútil, tão ingrata. Aí começo a pensar nas coisas ruins que vêm acontecendo pelo mundo, começo a agradecer por tudo que tenho e depois foge da minha mente. Às vezes tenho radicalizado demais nos meus pensamentos, sem necessidade, né? Não tenho nada haver com nada, to aqui na minha. É isso. Minha maior participação com a sociedade menos favorecida. Infelizmente sou mais uma hipócrita que faz textos de efeito moral para expor sua opinião, e só.
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